Sê o primeiro a adicionar este livro aos favoritos!
Depressões, défices de atenção, hiperatividade, burnouts, transtornos neuronais múltiplos. Estas são algumas das preocupantes doenças que caracterizam o nosso tempo. Byung-Chul Han, neste breve mas pertinentíssimo ensaio, apresenta-nos a sua perspetiva acerca desta patologia coletiva, evidenciando como o homem contemporâneo se sente cansado e apagado interiormente, num tempo em que, paradoxalmente, as possibilidades, os estímulos e as condições em geral nunca foram tão favoráveis. Segundo Han, o homem moderno padece de um excesso de positividade. Esta positividade caracteriza-se por uma forma de vida ativa, na qual o sucesso é sinónimo de desempenho e de produtividade, numa corrida competitiva desenfreada, que o impele, a todo o momento e a um ritmo muito acelerado, a fazer e a produzir mais. Toda esta atividade frenética tem um cariz perverso, que nos deve fazer refletir: é realizada de forma autoimposta, sendo um tipo de coação que dispensa uma entidade disciplinadora externa – sob este ponto de vista o homem tornou-se mestre e escravo de si mesmo. Esta perspetiva deprimente de um homem autosubjugado ao ímpeto positivista, alerta-nos para a necessidade premente de colocar um travão a esta escalada de hiperatividade, contrapondo-lhe as virtudes da vida contemplativa. É na contemplação que encontramos o fôlego necessário para desenvolver algumas das mais indispensáveis atividades de enriquecimento do espírito humano, como a introspeção, o autoconhecimento e o ócio. Parar. Serenar. Contemplar. Contrapor alguma negatividade a um mundo que transborda de uma positividade intoxicante que potencia, para além de transtornos neuronais graves, um tipo de mentalidade seguidista, acrítica, impaciente e muito pouco disponível para acolher a diferença.