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Eu não quis ou não consegui enraizar ninguém em mim. Mais algum tempo e perderei até a possibilidade de ter filhos. Nenhum ser humano jamais se desligaria de mim com a mesma angústia com que me desliguei da minha mãe apenas porque nunca consegui me apegar a ela definitivamente. Não haveria nenhum mais ou nenhum menos entre mim e um outro ser feito de mim. Eu permaneceria sendo eu até o final, infeliz, insatisfeita com aquilo que arrastara furtivamente para fora do corpo de Amalia.
Ao descobrir que a mãe, Amalia, foi encontrada morta numa praia, Delia se vê confrontada com um passado do qual tenta em vão se desvencilhar. Da infância marcada pela violência e pelo excesso de idealização da figura materna à luta para desvincular-se de Amalia, Delia mergulha numa jornada através das lembranças, reais ou imaginárias, que a levam a repensar não apenas a imagem que ela construiu para a mãe, mas principalmente a imagem que atribui a si mesma.