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Ano: 1944
Sinopse (PT): À margem deste livro, Savinio adverte o leitor de que se trata de «um livro discursivo: um entretenimento». E acrescenta de imediato que esta forma de «longo e tranquilo conversar» é, para ele, a mais ambiciosa, na medida em que subentende toda a civilização: aqui «a fase cosmogónica da poesia – e do pensamento – é superada, subentendida e “silenciada”; por aquele pudor que é regra rigorosa no plano desta civilização superior. Já não se opera, já não se cede à baixa ambição de meter as mãos na massa. Evoca-se apenas. Passa-se tranquilamente, com indiferença, entre as memórias que o drama deixou atrás de si. E apenas resta voz para um discurso calmo. Depois, mais além, mais acima, já não haverá sequer lugar para um discurso; mas apenas para o silêncio».
Uma vez decifrado tal impecável cartucho, que ilustra não só este livro como toda a obra de Savinio, estamos prontos para seguir este «longo conversar» que – cedo nos aperceberemos – é também um deambular: deambular por Milão, descobrindo nesta cidade (que Savinio se atreve a definir como «douta e meditativa: a mais romântica das cidades italianas») uma selva de associações, de figuras, de fantasmas, de acontecimentos. Para o escritor, Milão é um tecido robusto e honesto sobre o qual bordar divagações. E a divagação é, para ele, também o pretexto para fazer passar, discretamente, fragmentos de uma subtil confissão autobiográfica.
Onde quer que se aventure neste seu vaguear urbano, Savinio é acompanhado pela sua amiga mais fiel, a ironia, entendida como «maneira subtil de se insinuar no segredo das coisas», virtude tanto mais necessária em Milão, que se apresenta como «cidade toda de pedra na aparência e dura», enquanto é «suave de jardins “internos”». E, ao lado de Savinio, como perene companheiro de conversa, reconhecemos uma sombra, o milanês Henri Beyle. Foi dele, e só dele, que Savinio herdou um certo olhar amoroso que se detém nos detalhes da cidade – e até um gesto que já é um desafio da imaginação: respirar «a plenos pulmões o cheiro da sua amada cidade, que é o cheiro da madeira queimada exalada pelas chaminés e guardada pela neblina».
Sinopse (ITA): In margine a questo libro, Savinio avverte il lettore che si tratta di «un libro discorsivo: un entretenimiento». E subito aggiunge che questa forma di «lungo e tranquillo conversare» è per lui la più ambiziosa, in quanto sottintende tutta la civiltà: qui «la fase cosmogonica della poesia – e del pensiero – è superata, sottintesa, e “taciuta”; per quel pudore che è regola rigorosa sul piano di questa superiore civiltà. Ormai non si opera più, non si cede più alla bassa ambizione di mettere le mani in pasta. Si rievoca soltanto. Si passa tranquilli, indifferenti, fra i ricordi che il dramma ha lasciato dietro di sé. E solo c’è voce per un discorso calmo. Poi, più oltre, più su, luogo non ci sarà nemmeno per un discorso; ma solo per il silenzio».
Una volta decifrato tale impeccabile cartiglio, che illustra non solo questo libro ma tutta l’opera di Savinio, siamo pronti a seguire questo «lungo conversare» che – ci accorgeremo presto – è anche un passeggiare: passeggiare per Milano, scoprendo in questa città (che Savinio si azzarda a definire «dotta e meditativa: la più romantica delle città italiane») una selva di associazioni, di figure, di fantasmi, di fatti. Per lo scrittore, Milano è una robusta, onesta stoffa su cui ricamare divagazioni. E la divagazione è per lui anche il pretesto per contrabbandare i frammenti di una sottile confessione autobiografica. Ovunque si spinga in questo suo urbano girovagare, Savinio è assistito dalla sua amica più fedele, l’ironia, intesa come «maniera sottile d’insinuarsi nel segreto delle cose», virtù tanto più necessaria a Milano, che si presenta come «città tutta pietra in apparenza e dura», mentre è «morbida di giardini “interni”». E, a fianco di Savinio, quale perenne compagno di conversazione riconosciamo un’ombra, il milanese Henri Beyle. Da lui, solo da lui, Savinio ha derivato un certo sguardo amoroso che si posa sui dettagli della città – e persino un gesto che ormai è una sfida dell’immaginazione, respirare «a pieni polmoni l’odore della sua cara città, ch’è l’odore di legno bruciato esalato dai camini e custodito dalla nebbia».