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Diogo (o filho) e Luísa (a mãe) introduzem-nos no seu mundo próprio através de uma permuta de confidências para a qual, enquanto leitores, somos solicitados.
Diogo nasce. Diogo cresce. Luísa observa-o, em permanente sobressalto. Diogo é diferente. Nas atitudes, nos gestos, na sensibilidade, nas amizades que procura. Sente-se perdido. Não pertence a nenhum lugar. Não se "identifica". Luísa apercebe-se do sofrimento e dos permanentes conflitos íntimos do filho. Mas tem relutância em admitir aquilo que, afinal, sabe. Sempre soube. O instituto de proteção de que desenvolve cafa vez com mais intensidade resulta num mundo a dois, isolado do restante núcleo familiar. Um mundo que ambos partilham e percorrem numa autêntica via dolorosa. No diálogo. No diálogo franco e livre que sempre mantiveram, só tardiamente as palavras cruamente descodificadas de tenta amargura aconteceram ( Mãe, sou homossexual). Diogo, que fazer quando nos sentimos diferentes? Luísa, como gerir a tua frustração, a dor infinita que te consome ao tomares consciência de que esse teu filho tão amado não te dará nunca os netos que adorarias ter, e que cultural e socialmente sabes representarem o paradigma da continuidade da família? Será suficiente a tua quase inesgotável capacidade de compreensão, de paciência, de amor?
Ler estas páginas é apreender uma experiência duríssima. É refletir profundamente sobe o "outro". Porque ser diferente não é uma questão de escolha. Vagabundos de Nós aborda o que de melhor e de pior há em cada ser humano, deixando em aberto as pistas para a problemática da condição de não haver escolha. Basta, com humanidade que dignifica, querer seguir essas pistas