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Reedita-se, com nova tradução (esta, da autoria de Salvato Telles de Menezes) uma obra-prima da literatura americana. Apesar de se contarem pelos dedos de uma mão os títulos que publicou, e de o autor se ter retirado há quase cinco décadas (não dá entrevistas, não autoriza que os seus livros ou contos sejam transformados em filme), são milhões os leitores de J. D. Salinger por esse mundo fora.
Franny e Zooey, que data do início da década de 60, reúne um conto ("Franny", que havia sido publicado na "New Yorker" em 1955), e uma novela ("Zooey", que sairia na mesma revista dois anos mais tarde). Fazem ambos parte do universo do clã Glass (Wes Andersson, realizador de "The Royal Tenenbaums", refere que a sua inspiração fora a família Glass, inventada por Salinger). E quem são os Glass? Um casal de artistas de "vaudeville", com sete filhos, todos eles génios, adultos antes do tempo, e que têm dificuldades em lidar com o "real quotidiano". Franny é uma jovem e angustiada estudante universitária que se encontra com o namorado e lhe tenta explicar a sua busca religiosa como saída para a angústia. Zooey é o seu irmão, que discute com a mãe a depressão da irmã.
"Franny e Zooey é só um dos mais belos livros publicados no ano passado em Portugal."
Mário Santos, Público, Mil Folhas, 25/01/03
"Para além conseguir a proeza de ficcionar, com humor e ritmo irresistíveis ( o diálogo entre Zooey e a mãe é de antologia), uma discussão sobre o conceito de santidade, Salinger expõe ainda de forma admirável os meandros do cristianismo e do budismo (que pratica há vários anos), num livro que é, também, uma réplica hiperlúcida à dicotomia sabedoria/felicidade, um dos pilares mais nefastos da nossa esquizofrénica cultura. Imperdoável não (re)ler."
Ana Cristina Leonardo, Expresso, Cartaz, 23/11/02