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Quando anunciou à mãe que estava grávida de uma menina, Karine, 35 anos, nascida numa família disfuncional do Belenzinho, ouviu esta frase: «Você nunca mais vai ficar sozinha.» Se isto lhe soa a promessa de felicidade eterna ou a prisão perpétua, varia consoante o dia e o exame marcado na longa rotina pré-natal.
Num romance com altas doses de humor, neurose, cinismo e humanidade, Karine vai conversando com a enfermeira sobre traumas de infância, o medo do fim — da juventude, da liberdade, da individualidade —, a solidão, o peso do corpo e das expectativas, a intensa relação com a mãe e o complexo, assustador e comovente caminho para a maternidade.
Críticas
«A questão não é saber se Tati Bernardi é louca. A questão é saber porque é que, quando a lemos, ficamos com inveja de não sermos tão loucos como ela. Quando a ouvimos contar as desfeitas que o mundo lhe faz percebemos que a loucura é, de facto, a única reacção digna.» — Ricardo Araújo Pereira