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A Estratégia do Cinismo (seguido de O Jantar do Comissário), publicado em 1977
A Estratégia do Cinismo, Carlos Coutinho combina a desmontagem do absurdo quotidiano com a denúncia da situação sociopolítica do pós-25 de abril. Focalizando o quotidiano conjugal, o azedume que cresce na relação entre Fernando e Helena, a primeira peça desenvolve-se a partir de um interrogatório que permite a retrospetiva da situação existencial que conduziu o réu, Fernando, acossado pela miséria e enlouquecido por uma relação amorosa frustrada, a tentar matar um pasteleiro que o acusara de roubar um jornal; ao mesmo tempo que a materialização dessas retrospetivas acentua a oposição entre o otimismo de Helena e a desistência de Fernando
O Jantar do Comissário, Carlos Coutinho formula uma crítica aos que desesperadamente tentavam perpetuar um passado de autoritarismo, transposto aqui para uma cena familiar de um comissário que submete a interrogatório e tortura a filha por ela ter participado num plenário. Eivadas de um realismo ao nível da linguagem e das situações, com alusões a factos históricos concretos, é pela "introdução da dialética no quotidiano que o aparente naturalismo destes textos se transmuda em autêntico realismo: porque eles não se limitam a descrever uma dada realidade, imobilizando-a [...] mas ao integrá-la num processo dinâmico, ao mostrá-la como mutável, apontam para a necessidade da sua efetiva mudança."
Autor:
Carlos Alberto da Silva Coutinho nasceu em 1943. Jornalista e escritor. Mobilizado para a guerra colonial, passou dois anos em Moçambique como enfermeiro militar de Neuropsiquiatria nos anos de 1966 a 1969.
Militante do PCP, foi operacional da Acção Revolucionária Armada (ARA), organização responsável por vários atentados contra objetivos militares e policiais durante o regime fascista. Nesta organização em que ingressou em 1970, utilizava o pseudónimo de "Meneses", tendo participado em diversas ações, como o corte de telecomunicações, corte da rede elétrica nos anos de 1971 e 1972, rebentamento de cargas explosivas e parcial destruição do navio Cunene que transportava armamento para a Guerra Colonial em 26 de Outubro de 1970, ao lado de Gabriel Pedro, destruição de 17 helicópteros e 11 aviões na Base Aérea de Tancos em 6 de Março de 1971 e destruição parcial da Escola Técnica da PIDE em 21 de Novembro de 1970. Em consequência das suas ações políticas, foi preso pela Pide na prisão do Forte de Caxias, desde 22 de Fevereiro de 1973 até ao 26 de Abril de 1974.
Foi libertado em 26 de Abril de 1974, com a Revolução dos Cravos, tendo retomado a sua carreira jornalística em paralelo com uma atividade literária diversificada.
Trabalhou em vários jornais, tendo começado como arquivista e seguidamente passado a redactor no jornal O Século em 1971 e um dos fundadores de O Diário. Fez também parte da direção do Sindicato dos Jornalistas no biénio de 1981/1982. Distinguiu-se como dramaturgo.
Anotações: Exemplar com etiqueta da Editorial Caminho.
Titulo: A Estratégia do Cinismo (seguida de O Jantar do Comissário)
Autor: Carlos Coutinho
Editora: Editorial Caminho
Páginas: 165