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«Lá fora a chuva caía forte, as pessoas resguardadas debaixo do toldo esperavam. Depois um braço afoito estendeu-se além da protecção da lona, ouviu-se: - "Já parou" -, e toda a gente invadiu a rua.
Como se fosse em casa, as duas mulheres andaram o resto do dia na rua a reflectirem-se nos vidros das montras e nas chapas polidas dos homens de profissões livres. Onina falava a livrar-se da dor: -"Depois disse que a roupa estava mal passada, que eu é que lha passava a seu gosto. Fodeu-me toda a noite sem se preocupar se eu estava ou não a dormir. Ia dizendo que me amava. Então de madrugada, quando a carroça do boi passou com as couves para a praça, matei-o. Enforquei-o com o terço que a mãe dele rezava todos os dias pela paz no mundo."
Data de publicação: 3ª edição, Maio 1987