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Nem a verdade mais cruel pode destruir uma família
A morte inesperada da mãe, quando Luísa tem apenas onze anos, espoleta uma mudança de vida radical. Órfã também de pai, a jovem vê a irmã, Sara, de quatro anos, ser adotada, num processo tão rápido quanto suspeito. A ela, os serviços sociais entregam-na aos avós maternos, cuja existência até aí desconhecia.
Luísa mergulha então num contexto radicalmente diferente, indo viver para uma aldeia remota no Norte do país, onde, num tempo a roçar o início da década de 90 do século passado, falta quase tudo, desde o saneamento básico à eletricidade.
A Luísa faltará também o amor, mas sobrar-lhe-ão dúvidas: por que razão não há qualquer sinal da existência da mãe na casa dos avós? Porque o casal não toca sequer no nome da filha? E porque tratam Luísa como se ela fosse a personificação de um pecado?
Impelida a procurar a verdade sobre a sua origem e a estabelecer a sua identidade, Luísa não imagina como se arrisca a pôr em causa a imagem idealizada da mãe.
Num retrato duro do interior português no último terço do século passado, A Conta que Deus Fez espelha também o modo como a Justiça lidava com os crimes cometidos sobre as mulheres.