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"Em contraste com uma antropologia que separa o homem do animal, pretende-se aqui compreender a articulação entre o biológico e o antropológico.
Em contraste com um antropologia que opõe a natureza e cultura, mostra-se aqui que a chave da cultura se encontra na nossa natureza e que a chave da nossa natureza se encontra na cultura.
Em contraste com uma antropologia que se limita unicamente às sociedades arcaicas, procura-se aqui o homem através dos seus múltiplos "nascimentos", desde as suas origens (hominização) até ao seu devir contemporâneo.
Em contraste com uma antropologia que apenas encara o homo dito sapiens sob os traços unidimensionais de um técnico racional, enquanto os seus predecessores, e não ele, elaboraram o utensílio , a linguagem, a cultura, demonstra-se aqui que o homem fornece ao mundo o mito, a magia, a imoderação, a desordem, e que a sua originalidade profunda consiste em ser um animal dotado de despropósito.
Em contraste com uma antropologia que oscila entre uma unidade sem diversidade e uma diversidade sem unidade, procura-se estabelecer aqui como o princípio de unidade contém o princípio de diversidade e de evolução.
Para além do biologismo, concepção estreita e hermética da vida, e do antropologismo, concepção insular e sobrenatural do homem, propõe-se aqui uma teoria aberta da natureza humana, baseada na ideia de auto-organização e numa lógica da complexidade. Esta teoria abre-se não só para a "lógica do vivo", mas também para os problemas fundamentais de uma política do homem."
Edgar Morin
Sinais de uso na capa. Picos de acidez no exterior de algumas páginas. Com poucos sublinhados a lápis.