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Ainda que possa aparecer-nos como que banalizada a sua entrada na linguagem de todos os dias, a noção de infância inadaptada é um problema. Trata-se de uma noção mal definida, demasiado geral, aplicável a crianças portadoras de dificuldades, de perturbações, de anomalias de comportamento, etc., extremamente diversas e de gravidade variável. Pode designar crianças com dificuldades escolares, quer globais quer incidentes neste ou naquele tipo de aprendizagem e de atividades (escrita, leitura, cálculo, memorização das lições, etc.); e os motivos de tais fracassos são em si próprios muito diversos (deficiência intelectual, perturbações chamadas «instrumentais», desvantagem sensorial, oposição aos pais, falta de à-vontade no meio escolar, etc.)
Pode ser o caso das crianças chamadas «difíceis», isto é, que apresentam conduta agressiva, destruidora, perturbadora para o ambiente em que vivem, conduta essa que pode ou não levar á delinquência.
Em alguns casos estamos em presença de estados psicopatológicos típicos; mas por vezes esse comportamento revela apenas uma crise transitória muito menos inquietante. Sintomas como tiques, enurese (incontinência urinária), pesadelos, receios noturnos, perturbações alimentares (por excesso ou recusa de alimentação), etc., devem igualmente considerar-se no âmbito das inadaptações infantis.
Poderiam multiplicar-se os exemplos para ilustrar esta diversidade e, deste modo, mostrar toda a utilidade deste livro simultaneamente claro e profundo.
Titulo: As Crianças Inadaptadas
Autor: Roger Perron
Tradução: Liz Silva
Editora: Publicações Dom Quixote
Páginas: 138