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Os Comediantes, narra a viagem de um grupo de estrangeiros a Porto Príncipe (Haiti), no meio do regime ditatorial de François Duvalier (1957-1971). São personagens comuns, um empresário, um político idealista e um ex-soldado , sem personalidades marcantes. A sua banalidade é enfatizada pelos seus sobrenomes comuns na cultura anglo-saxónica, Brown, Smith e Jones. Num Haiti tomado pelo horror, com assassinatos e abusos de toda sorte, a ingenuidade e a falta de jeito das personagens que se envolvem em situações confusas, como romances sem sentido e ações políticas que não entendem, fazem delas os comediantes do título.
Os Comediantes constituiu uma surpresa e tanto! O registo cómico da primeira parte, quando Brown, os Smiths, Jones, e um par de maravilhosos secundários se conhecem, num cargueiro holandês, a caminho do Haiti, vive tanto da sua ingenuidade [uma ingenuidade ridícula, porém com surpreendentes vislumbres de grandeza] como de uma espécie de surrealismo burlesco; mas é também o momento em que se antevê e adensa o enigma dos seus passados, dos percursos que os conduzem ao seu destino. Se a segunda parte, já em pleno terror haitiano, permite o cruzamento com outras personagens, a clarificação de uma parte dos mistérios que pesam sobre aqueles indivíduos e o desenvolvimento de uma história central, sobre uma paixão ilícita, é a terceira parte que nos devolve o Major Jones no seu melhor. Que faz, deste, uma personagem inesquecível e de primeiro plano. O aventureiro cómico, o burlão inocente, o materialista sonhador. Assistimos, perplexos, rendidos, à confissão sincera do grande mentiroso: eu diria que poucas vezes um romance tragicómico atinge, a este ponto, todo o esplendor da sua razão de ser.
Título: Os Comediantes
Autor: Graham Greene
Tradução: Bertha Mendes
Editora: Livraria Bertrand
Dimensões: 15 x 20 cm
Páginas: 412