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«A "vidinha" está aqui retratada com a precisão que já esperávamos neste poeta que escreveu que um poeta é "um distraído" terrivelmente atento".
Alexandre O’Neill estava terrivelmente atento ao uso do português, à angústia da bicha do autocarro, ao excesso de culpa que deve ser redimido por um excesso de emoção. É verdade que ele também esteve atento à política e que com frequência deu nomes aos bois. [...] O'Neill detestava a beatice do antigamente, o desleixo dos engajados e o surrealismo tornado maneirismo. A avidez expressiva que veio com o fim da censura já ele exercitava há muito, mesmo se embrulhada em alusões e trocadilhos. E é toda uma tristeza contentinha, umas vezes divertida e outras obcecada com o absurdo dos trabalhos e a passagem dos dias. É uma crítica do real quotidiano.»
Pedro Mexia