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Como reportagem, sem dúvida, fica este livro como uma das mais vivas, se não a mais viva, que possuímos, de origem estrangeira, da vida de Lisboa no fim do século XVIII, se considerarmos, como é justa que se considere, o que o século XVIII em Portugal só terminou em 1807, com a primeira invasão francesa.
Relato, sob a forma de cartas, da vida em Lisboa entre 1798 e 1802, da autoria do pastor protestante sueco, Carl Israel Ruders, capelão da legação sueca em Portugal. Carl Ruders viveu entre nós mais tempo do que outros autores estrangeiros que escreveram sobre Portugal, e movia-se num estrato social diferente. Além do quotidiano da vida citadina, tipos sociais, trajes, crenças, hábitos, condições de vida, alimentação, clima, paisagem, Ruders descreveu também a colónia inglesa em Lisboa e Setúbal, sendo-lhe reconhecida a objetividade e a justiça dos julgamentos.
Ruders apreciava teatro e ópera. Pelas suas descrições minuciosas ficamos a conhecer o ambiente do S. Carlos, mas também de outros teatros, como o da Rua dos Condes, a vida dos cantores e dos dançarinos. Interessou-se também pelos monumentos que descreveu em pormenor. Escreveu igualmente sobre literatura, tendo traduzido alguns episódios de Os Lusíadas.
Sublinhe-se que na segunda metade do século XVIII e primeira do século XIX, os portugueses não registavam o seu dia-a-dia, pelo que os relatos de estrangeiros são fontes importantes para o conhecimento da vida quotidiana da época.
Trata-se da edição completa em português.
Com a tradução do poeta e diplomata António Feijó; prefácio e notas Castelo Branco Chaves. Sobre os textos de Ruders diz-nos Castelo-Branco Chaves: “Não conheço livro escrito por forasteiro acerca do nosso país, onde Portugal e os portugueses sejam observados com maior objectividade e mais leal propósito de equidade”.“Como reportagem, sem dúvida, como uma das mais vivas, senão a mais viva, que possuímos, de origem estrangeira, da vida em Portugal no fim do século XVIII.