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Caso único, pelo tema, pela estrutura e pelo estilo, Satíricon, o célebre texto atribuído a Petrónio (conselheiro de Nero e testemunha daquela época de extravagância, diletantismo e volubilidade sexual), sai agora a público, na primeira versão feita para português a partir do original latino.
Este 'livro das lascívias', considerado o primeiro romance realista e pai do género picaresco, constitui uma sátira prazenteira, lúdica e crítica, dos excessos da Roma imperial do século I. Cerca de dois mil anos depois, o leitor, seduzido, desde as primeiras páginas, pela rede de episódios satíricos desta obra estilisticamente simples e narrativamente moderna, entra num universo singular, cujos contornos, porém, são intemporais. A espantosa galeria de personagens de Satíricon exibe-se num desenho tão exato que as torna inquestionavelmente verosímeis, quase reais, e atuais: Trimalquião, por exemplo, o novo-rico cuja monstruosa fortuna corresponde apenas a um monstruoso gosto e a uma monstruosa educação; ou Encólpio, o narrador falicamente dotado que tem que sofrer os amargos desaires da impotência; ou Gíton, o adolescente cuja beleza desarma qualquer um, etc.