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Bérénice é uma das tragédias mais célebres de Jean Racine, estreada a 21 de novembro de 1670 no Hôtel de Bourgogne, em Paris. A obra destaca-se no teatro clássico francês pela sua extrema simplicidade de enredo e por ser uma tragédia invulgar onde não há derramamento de sangue — o sofrimento e a fatalidade residem inteiramente na dor da separação.
O Enredo e o Conflito Central
A ação decorre em Roma, logo após a morte do imperador Vespasiano. O seu filho, Tito (Titus), assume o trono imperial e está profundamente apaixonado por Berenice (Bérénice), rainha da Palestina. Contudo, a lei e o povo romano opõem-se categoricamente a que o imperador case com uma rainha estrangeira.
Tito vê-se perante o dilema clássico do teatro raciniano: o Dever Político contra o Amor. Logo no início, Tito escolhe a sua responsabilidade para com Roma e decide que deve enviar Berenice de volta à sua pátria. A tragédia foca-se na dor de fazer e aceitar esse anúncio. Para complicar o triângulo amoroso, surge Antíoco (Antiochus), rei de Comagena e amigo íntimo de Tito, que nutre um amor secreto e não correspondido por Berenice.