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Cinna, de Pierre Corneille. Nouveaux Classiques Larousse.
Cinna ou a Clemência de Augusto, de Pierre Corneille:
O Contexto da Conspiração
A ação decorre na Roma Antiga, sob o reinado do Imperador Augusto (Octávio). Émilie, filha do tutor de Augusto (que foi executado pelo próprio imperador para alcançar o poder), vive motivada por um desejo profundo de vingança. Ela exige a morte do imperador como condição para se casar com o homem que ama, Cinna.
Cinna, um jovem nobre e neto do grande Pompeu, assume a liderança de uma conspiração secreta para assassinar Augusto, movido pelo amor que nutre por Émilie e pelo ideal de restaurar a República Romana.
O Dilema Político e a Traição
No auge do planeamento do atentado, Augusto convoca inesperadamente Cinna e o seu amigo Maxime (que também faz parte da conspiração) para um conselho privado. Cansado do peso do poder e atormentado pelo seu passado violento, o imperador confessa-lhes que está a ponderar abdicar do trono.
Surpreendido pela confiança e generosidade de Augusto, Cinna entra em conflito interno, mas mantém o plano devido à sua promessa a Émilie. No entanto, o ciúme entra em cena: Maxime, que também ama secretamente Émilie, é manipulado pelo seu liberto Évandre e decide trair a conspiração, revelando o plano a Augusto para tentar salvar Émilie e fugir com ela.
O Triunfo da Clemência
Ao descobrir a traição daqueles que considerava os seus protegidos mais fiéis, Augusto é invadido pela dor e pela raiva, ponderando aplicar as punições mais severas. Quando Émilie e Cinna assumem orgulhosamente a autoria do plano perante o imperador, desafiando a morte, a tensão atinge o limite.
Em vez de ceder à tirania e executar os traidores, Augusto toma uma decisão surpreendente: concede o perdão absoluto a Cinna, Émilie e Maxime. Confrontados com uma generosidade tão extraordinária, os conspiradores abandonam o ódio, reconhecem a legitimidade do imperador e juram-lhe total fidelidade, consolidando a paz e a estabilidade em Roma através da clemência e não da força.