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A motivação dos funcionários públicos e a reforma administrativa, de Pedro Ferro. Entre o bem comum e o interesse próprio.
O ideal da vida humana não é a Administração Pública. Esta é apenas um braço do Estado, o qual, por sua vez, está ao serviço da vida social. É um meio para um fim: para que cada pessoa - cada cidadão comum - possa seguir livremente o seu caminho, perseguir a sua luz interior e procurar o seu bem particular, na comunidade. A sociedade civil tem uma 'prioridade substancial' sobre a função pública.
Contudo, o serviço que a Administração Pública presta à sociedade é uma condição basilar do seu desenvolvimento (o que, aliás, percebemos melhor quando falha).
Trata-se certamente de uma condição negativa ou de uma pré-condição, não do motor ou da energia, que impulsionam a vida das comunidades, nem do sonho, que as comanda. Esses encontram-se, antes, na sociedade civil. Mas para que esse jogo de liberdades e interesses criadores se realize é imprescindível um árbitro prudente, justo, imparcial e altruísta, contido e discreto. A dignidade e nobreza específicas das funções da Administração resultam precisamente dessa "prioridade funcional' - do ponto de vista do Estado -, da sua gravidade e do seu carácter de serviço: onus et honor.
Pedro Ferro é licenciado em Economia, pós-graduado em Economia Europeia, Executive MBA e Mestre em Ciência Política. Actualmente, é Director do PADE - Programa de Alta Direcção de Empresas, da AESE, e docente universitário.