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Edição Moraes Editores de 1968
Tradução de Manuel de Castro
Entre o assassinato e a política, existe, portanto, uma dependência antiga, íntima e sombria, que se encontra no próprio fundamento de todo o poder: o poder é exercido por aqueles que podem matar os seus súbditos; o governante é o “sobrevivente” (Elias Canetti).
Enzensberger ilustra, com a sua característica sagacidade, a perturbadora relação entre política e crime. O âmbito é vasto: por exemplo, examina o regime de um ditador totalitário, o dominicano Trujillo “o Benfeitor”; Al Capone e os gangsters de “A Balada de Chicago”; a sangrenta Camorra napolitana; a morte misteriosa de Wilma Montesi e o chamado “julgamento do século”, em que os protagonistas da “dolce vita” e o governo democrata-cristão foram implicados num formidável escândalo envolvendo orgias, contrabando, tráfico humano e tráfico de droga; os conspiradores da Rússia czarista ou “sonhadores do absoluto”.
Como diz Enzensberger, este livro é motivado por questões que não podemos ignorar: Existem assassinos justificados? Somos todos traidores? Qual o propósito dos segredos de Estado? Existem homens de família que são gangsters e gangsters que são empresários? O “criminoso comum” é uma relíquia, uma relíquia do passado? Dez a sessenta milhões de mortos são “um preço aceitável”? Qual o futuro de Auschwitz? Os amantes dos animais são capazes de tudo? Ainda existem pessoas inocentes?