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Edição Cosmos de 1995
Tradução, introdução e notas de Aires A. Nascimento
Edição bilingue português/latim
Contém assinatura de posse
A epístola de Jerónimo a Pamáquio figura na tradição ocidental como uma espécie de carta magna do tradutor. Não sem razão, certamente, pois nela se aduzem os princípios fundamentais de uma actividade que reclama para si uma identidade e um direito de cidadania, não propriamente em nome de uma competência em receber e transpor para nova língua a comunicação do quotidiano, mas fundamentalmente por intervir numa inter-relação humana fundada na partilha de um património cultural que se exprime em textos de línguas diferentes, e cuja acessibilidade só se torna socialmente possível mediante intermediários qualificados e que por isso mesmo se pretendem reconhecidos como tal.
O estatuto conferido a esta epístola hieronimiana na tradição ultrapassa em muito a intencionalidade de origem e advém-lhe da relação estabelecida com a actividade principal do seu autor, associada desde muito cedo à versão bíblica que se fixou na tradição do Ocidente e que mercê de factores vários se impôs e mereceu ser tomada como paradigmática.