Sê o primeiro a adicionar este livro aos favoritos!
Edição Serralves de 2019
Clube de Poesia foi a primeira exposição individual de Horácio Frutuoso numa instituição museológica. Este título pode relacionar-se diretamente com duas das especificidades que singularizam a sua prática artística: a atenção à linguagem e uma constante criação de sinapses, de associações.
A relação mais evidente nesta mostra é desde logo entre meios: a pintura e a escrita sobre paredes confundem-se e desestabilizam todas as hierarquias entre visualidade e leitura, com as frases a ocuparem de certa forma o lugar das tabelas que tradicionalmente acompanham pinturas. Assinalável é o facto de algumas pinturas declararem premeditadamente serem cópias de cópias, reproduzindo, por exemplo, além de determinadas imagens as páginas dos cadernos onde estas foram guardadas pelo artista. A solenidade retirada à pintura é reforçada pelo tipo de linguagem utilizada pelo artista nas próprias telas e nas paredes, entre o registo eminentemente pessoal, diarístico, que denuncia simultaneamente a permeabilidade em relação à chamada cultura popular e uma utilização sofisticada, literária, de diversas figuras de estilo.
Outras vezes, o artista recorre simplesmente à repetição que na música se traduz em refrães ou em ritmos sincopados que nos convidam a juntarmo-nos na pista de dança.
A escrita de Horácio Frutuoso é portátil, é uma forma de capturar aquilo que, exatamente como a dança, é fugidio, evanescente, que está prestes a desaparecer: um sonho, uma ideia, uma estranha relação entre duas coisas. Responde à urgência. É um meio leve, fácil de transportar. Como tudo na prática artística de Frutuoso, parece periférico, mas pode tornar-se central. O contrário também se aplica.