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Edição Texto Editores de 2010
Tradução de Fernando Tomaz
Martinho Lutero, Um Destino retrata as origens do conflito que perdura até hoje. Obra incontornável sobre a história do século XVI e da Reforma, que faz reviver Lutero no seu papel heróico de profeta inspirado.
Lucien Febvre, o grande historiador dos Annales, para além de nos fazer assistir a um momento capital da história do Ocidente, coloca o problema das relações entre o indivíduo e a colectividade, entre a iniciativa pessoal e a necessidade social, que estiveram na base das formulações da «Nova História».
Descreve assim um Lutero inovador, ansioso por redescobrir as bases espirituais perdidas de uma Igreja tradicional cuja hierarquia sufocava a fé dos fiéis.
Mas também um Lutero que nada teve de construtor a longo prazo e que realizou o cisma sem restabelecer a unidade, enfraqueceu e diminuiu materialmente a Igreja Católica, criou condições favoráveis ao nascimento de inúmeras seitas, provocou a discussão por leigos de questões religiosas e que, ao fazê-lo, foi precursor involuntário dos livres pensadores dos séculos posteriores.
Martinho Lutero, Um Destino descreve principalmente a curva do destino de Lutero. A curva, embora inevitavelmente simples, é trágica. Para determinar com precisão os vários pontos importantes da curva e reflectir as decisões de Lutero de abrandar o ritmo e romper com a sua vida anterior sob certas circunstâncias e pressões, o livro centra-se num problema histórico básico, nomeadamente a relação entre o indivíduo e o público, isto é, a relação entre a iniciativa do indivíduo e aquilo que o público procura.