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Edição Relógio d’Água de 1997
Tradução de Miguel Serras Pereira
Textos de Jacques Derrida, Gianni Vattimo, Maurizio Ferraris, Hans-Georg Gadamer, Aldo Gargani, Eugenio Trías e Vincenzo Vitiello
Vem a propósito dizer algumas palavras de circunstância, não sobre a religião, mas sobre a génese desta iniciativa. Em 1992, Giuseppe Laterza concebeu o projecto de alargar a experiência do nosso Anuário Filosófico Italiano através da criação de um Anuário europeu; confiou esse encargo a Jacques Derrida e a mim; faltava somente a escolha do tema.
Pensei na religião e falei disso com Maurizio Ferraris. Pouco tempo depois, no mês de Novembro do mesmo ano, antes de discutir o assunto com Thierry Marchaisse, nas Éditions du Seuil, Maurizio Ferraris e Giuseppe Laterza expuseram o projecto a Jacques Derrida, pedindo-lhe que se encarregasse da escolha do tema; também no seu caso, a resposta foi: a religião.
Esta coincidência, a que chamamos o “espírito do tempo”, a meio caminho entre a harmonia preestabelecida e o puro acaso, pareceu-nos uma razão suficiente para admitirmos o carácter central do tema-argumento já dito. Os tempos mudaram decerto desde a época em que Hegel escrevia que o sentimento fundamental da sua época se exprimia na sentença “Deus morreu”.
Mas o “nosso” tempo (que, como o de Hegel, começa com o nascimento de Cristo) será na realidade tão diferente? E esse fenómeno, a que erradamente se chama o “renascimento da religião” (no interior dos parlamentos, do terrorismo e dos media, mais ainda do que nas igrejas, cada vez mais vazias), será na realidade outra coisa que não a “morte de Deus”?
Tal foi a questão que nos pusemos, sem dúvida como toda a gente hoje faz, e que submetemos aos amigos e colegas convidados a colaborarem connosco.