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Edição Teorema de 1990
Tradução de Carlos da Veiga Ferreira
Romance de terra quente constitui o ponto mais alto da magnífica obra romanesca de Valle- Inclán, figura ímpar na moderna literatura espanhola. Sobre o pano de fundo de uma América Latina cheia de colorido e violência, destaca-se a figura de um ditador, Tirano Banderas, que, antecipando-as, é um verdadeiro arquétipo de idênticas figuras que vão ocupar um lugar central nas obras de García Márquez, M. Angel Asturias, Vargas Llosa, Alejo Carpentier, J. Eustasio Rivera, Roa Bastos e tantos outros autores latino-americanos.
Valle-Inclán antecipa os ambientes, as personagens e os enredos de que irá alimentar-se o romance latino-americano do século XX. Os tiranetes locais, com o grande tirano à cabeça, as relações de poder entre colonizadores e autóctones e, sobretudo, aquilo a que, por facilidade, se chamaria atmosfera (onde cabem as descrições paisagísticas, o registo do calor húmido e dos seus efeitos na humanidade e os espaços que oscilam entre a festa tradicional e o deboche) são, neste romance de 1926, marca de água de uma linguagem que assenta no rigor, mas que nunca perde de vista a superação, a reinvenção e, sobretudo, o delírio tropical.