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Em Vilar de Piscos, um lavrador abastado é abatido em casa por elementos das guerrilhas antifranquistas. O atentado dos guerrilheiros em território português provoca uma ação conjunta das polícias políticas de Salazar e Franco: culmina, dois dias antes do Natal de 1946, no cerco e bombardeamento de Cambedo, povoação da raia, onde se refugiam os comandantes das guerrilhas.
Em paralelo a esta narrativa, uma outra se desenrola, em S. Bento das Gavieiras, no período do «Verão Quente». Como é vivida a Revolução numa aldeia do Minho? Como se movimenta a Rede Bombista de extrema-direita nas geografias do fim do mundo? As narrativas cruzam-se, algumas personagens atravessam os dois tempos históricos. Porque a maldade é intemporal, diz Armindo Pega, o homem das palavras estranhas, amigo de Justiniano, criado de servir, aterrorizado com os comunistas que lhe querem comer a orelha esquerda.
A Arte de Roubar Fruta, onde a paixão das palavras está sempre presente, é um romance sobre a coragem — de homens e mulheres que resistiram à violência fascista, em Portugal e no país vizinho.
O estilo de Francisco Duarte Mangas — natural de Rossas, Vieira do Minho, e reconhecido pelo seu percurso como ficcionista e poeta — é apontado como marcante, onde "a paixão das palavras" e o uso de figuras e expressões populares dão densidade humana às tragédias históricas retratadas.
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