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Nascido na zona rural do Minho em 1888, no seio de uma família de poucos recursos, Manuel Gonçalves Cerejeira podia ter-se tornado num simples pároco de aldeia.
Em vez disso, ascendeu ao posto mais alto da Igreja, tornando-se cardeal patriarca de Lisboa entre 1929 e 1971 e uma figura fundamental, embora polémica, do século XX português. Conservador e elitista ou renovador e humilde?
Amante do luxo e da riqueza ou atento à pobreza e defensor dos mais oprimidos? Homem caloroso ou autoritário? Sinuoso ou insinuante? Alinhado com o Estado Novo ou defensor da independência da Igreja em relação ao regime de Salazar, seu amigo íntimo desde os tempos de Coimbra?
Defensor da vida e dos direitos humanos ou silencioso perante a violência da PIDE, a guerra colonial e a censura? Homem forte e decidido, ou indeciso e fraco como António de Oliveira Salazar chegou a apelidá-lo? Quando tomou posse como patriarca, o seu objectivo era recristianizar a sociedade portuguesa, mas no momento da sua exoneração a laicização da sociedade portuguesa era crescente e o mundo por que tanto lutara ameaçava ruir.
Contemporâneo e mesmo protagonista de acontecimentos marcantes e decisivos, como o Regicídio, a Revolução Republicana, a participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial, o 28 de Maio, a consolidação do Estado Novo, a assinatura da Concordata, o Vaticano II, a Guerra Colonial ou o 25 de Abril, o Cardeal Cerejeira foi seguramente uma das figuras marcantes do século XX português.
A sua amizade com Salazar vulgarizou a opinião, por vezes feita acusação, de uma conivência política com o Estado Novo, cuja decadência, aliás, coincidiu com a última parte do seu pontificado.