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Apesar de ter na mão o meu cajado o instrumento, visível ou invisível, que todo o peregrino traz consigo -, ainda não sabia o que fazer com ele. Mas a sensação de liberdade, vontade de conhecer, experimentar, aprender, descobrir os meus próprios limites, ousar e realizar, foram-me levando para a frente. Era preciso fazer o Caminho, e O Caminho Se Faz Caminhando passo a passo, às vezes perdendo-se, indo por atalhos ou auto-estradas, mas firmando sempre os passos para chegar a algum lugar, não a qualquer lugar, mas ao lugar escolhido, pretendido, desejado.
A experiência da peregrinação foi, tem sido e sempre será uma grande lição e companheira na minha vida. A fé, a humildade, a solidariedade e a dor, que se transformam em aprendizagem, são o presente maior de quem fez o Caminho sem esperar tanto, mas conquistando muito, a cada encontro, a cada passo do grande Caminho.
Uma das coisas mais bonitas no Caminho de Santiago é mesmo a linguagem silenciosa que, muitas vezes, se expressa num gesto de solidariedade, de troca, de amor que vai brotando entre pessoas a princípio tão estranhas umas das outras, mas, neste Caminho de aprendizagem, humildade e fé, vamo-nos reconhecendo como irmãos de uma grande família.
Já sentados para a grande missa do meio-dia encontrei muitos peregrinos conhecidos. Estavam todos como eu, ainda com as suas mochilas e cajado encostado nos bancos da Catedral, um ar cansado e, ao mesmo tempo, superado por toda aquela emoção de quem conseguiu chegar ao seu destino.
(in O Caminho Se Faz Caminhando, Vanessa Omena)