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Um senhor muito mau lembrou-se um dia, que todos os seus súbditos haviam de ter carro. Assim nasceu o carro do povo. Para nós ficou na história pelo carinhoso nome de “carocha”.
Um belo dia de estio entrou no parque de campismo da “Torrata” no Algarve, um “carocha” verde, com um casal e os seus dois filhos. O “carocha” trazia um tejadilho de proporções aceitáveis, que não punha em causa a sua estabilidade. Parou junto ao meu material. Após a saudação da praxe, perguntaram se podiam ali montar as suas tendas. Nada a objectar vamos ao trabalho, pois naqueles tempos a colaboração era o princípio de todo o campista. Aliás, todos faziam jus em ajudar quem chegava.
O material começou a ser descarregado e montado e terminada a obra, já os nossos filhos pareciam conhecer-se há anos e as nossas esposas já teciam planos para o jantar.
Ainda havia que levar a pequenada à praia e a banhos, mas eu estava estupefacto. Como é que um carro sem mala podia trazer tanta coisa. Nada faltava. Bancos, mesas, fogão, fogareiro, colchões, sacos de dormir, roupa para 15 dias etc., etc., e duas tendas.
Era obra. Cada vez que um artefacto era montado eu olhava para aquele verde e admirava a fina engenharia. Tudo era portátil. Os tachos, os pratos, os garfos, as facas faziam parte de uma organização, em que cada peça encaixava noutra como num verdadeiro puzzle.
Perante a minha admiração, o companheiro alentejano ia-me informando, que peças havia que eram da sua autoria, outras encontradas no mercado. Quando eu lhe dizia que era muito prático, ele retorquia-me “portátil”.
Estava longe de imaginar que a Amélia, já conhecia aquele campista e que transformaria a minha estupefacção, de homem que tinha apenas de montar a sua tenda de campanha de dois panos em lona, que afinal de contas, as férias eram portáteis, a “hotelaria portátil”, que tudo era “à bem dizer turismo portátil”, como no caso de dois holandeses, que findo um acampamento internacional, quando se despediam de mim e lhes perguntava se não levavam as tendas, me informavam que na usual chegarem a um país, compram e montam e deixá-las à organização, com a saudação de “é só até à vista”.
Bem haja pela ideia, pela coragem e prestimoso trabalho ao serviço da divulgação da MODALIDADE.
F. Cipriano
Presidente da F. C. M. P.