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Filha de Labão, de Tomás da Fonseca. Coleção Livros de Bolso Europa-América n. 32.
Tomás da Fonseca nasceu em 1877, em Laceiras, próximo de Mortágua, e morreu em 1968, com quase 91 anos.
Depois de frequentar, no Seminário de Coimbra, o curso de Teologia, que viria a abandonar, consagrou-se à defesa corajosa e entusiástica das ideias liberais e republicanas, nos jornais, em livros e na tribuna, onde se distinguiu pela eloquência.
Personalidade com facetas tolstoianas, Tomás da Fonseca — «o poeta-lavrador-filósofo», «o santo que não acreditava em Deus», como alguns lhe chamaram — produziu, ao longo da sua vida, obras que o guindaram a lugar de relevo na história das letras portuguesas.
Evangelho de um Seminarista (1903),
Sermões da Montanha (1909),
Agioiólogo Rústico (1957),
Na Cova dos Leões (1958),
representam apenas uma pequena parcela do espólio literário que legou à posteridade.
Data de 1951 Filha de Labão, uma «novela rústica», cuja ação decorre na segunda metade do século XIX.
Nela nos oferece o romancista uma aguarela pitoresca e poética de costumes e tipos humanos, onde a vida camponesa é traçada com suas virtudes, atavismos e vícios.
É o mundo dos simples, em que a existência se desenrola sem fulgor no rio humilde das coisas triviais, mas em que é possível brotar e crescer, espontaneamente, algum destino que reúna em si e simbolize a majestade das serras, a candura da flor campestre, e o hieratismo bíblico da imagem de retribuição:
a Maria do Aljão, a Cotovia, como, menina e moça, a apelidavam.