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Edição de 1983 da Livraria Estante Editora
Tradução, prefácio e notas de Ludwig Scheidl
Anatol é um ciclo de sete peças num só acto, publicado originalmente em 1893 e passado na Viena do final do século XIX, que acompanha as relações fugazes de Anatol, rapaz da alta burguesia, com sete mulheres, tendo o amigo Max por testemunha constante.
Cada uma regressa ao mesmo impasse: a dúvida sobre o amor do outro e a incapacidade de a enfrentar. A primeira, “A Pergunta ao Destino”, valeu a Schnitzler, da parte de Sigmund Freud, o epíteto de “explorador das profundezas psicológicas”.
O ciclo não conta uma história: as cenas unem-se apenas pela figura de Anatol e nenhuma desemboca numa conclusão em sentido tradicional. A acção conta pouco. O que importa são as conversas, com Max, o amigo céptico, e com mulheres de condições muito diversas, sobre a fidelidade e a verdade no amor. Anatol, figura próxima dos dandies franceses e ingleses, procura a mulher certa, de quem espera entrega total e fidelidade absoluta, sem a oferecer, e vai descobrindo que, neste terreno, homens e mulheres pouco diferem.
Sob a leveza das réplicas, o que o ciclo põe em causa é a própria ideia romântica de amor: os sentimentos variam com a disposição do momento, e a observação constante de si próprio paralisa Anatol e corrói a duração do que sente.