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Edição Seara Nova de 1947
Tradução de Luís Cardim
O poema de Walt Whitman aqui apresentado em tradução portuguesa carece de duas singelas palavras iniciais, para não correr o risco de ser mal interpretado e compreendido.
O aspecto primacial desta célebre composição, que se julga inspirada numa passagem do romance Consuelo, de George Sand, de quem Whitman era um admirador entusiasta — é o aspecto puramente literário: o apelo imperioso da estrada para certas almas e a estranha embriaguês da vagabundagem.
E ninguém poderá negar, sob este aspecto, o êxito perfeito do artista, na sua esfusiante exuberância verbal, musical e pitoresca. Entre os escritores de tipo musical, quase diríamos sinfónico, Walt Whitman figura na primeira linha.
Mas por sob o aspecto artístico há também, por certo, a alegoria social e filosófica que lhe era tão querida, misto e fusão de variadas correntes de pensamento.
E o próprio Whitman traçava deste modo, no Prefácio da 1.a Edição, o seu programa literário: Ocupo-me do Nascimento e da Vida, recorrendo, para vestir as minhas ideias e para lhes dar localização definida e sentido concreto, e quadros, jornadas e cenas do meu tempo, saturando-as em seguida daquele orgulho veemente e audaciosa liberdade que se tornam necessários para desprender o espírito da América, ainda em formação, dos vincos, das superstições e de todas as prolongadas, pertinazes e anti-democráticas influências do passado...»