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Edição de 2019 das Edições 70
Tradução de Benedith Bettencourt
Ao trazer o terramoto de Lisboa da esfera do transcendente para o domínio da ordem natural, Kant tentou mostrar-nos que, ao invés de procurar no desastre significados ocultos, deveríamos antes aperfeiçoar formas de coexistir com o risco da sua repetição. A mensagem continua atual, mormente porque os destinatários se revelam renitentes.
O jesuíta Gabriel Malagrida, némesis de Sebastião José de Carvalho e Melo, comentou nos seguintes termos a hipótese de o terramoto ser um fenómeno natural: “- Nem o Diabo inventaria uma maneira mais certa de nos levar à perdição.” A mensagem de Malagrida, mais do que a de Kant, terá ficado plasmada na memória coletiva dos portugueses.
Razão de sobra, se outras não existissem, para ler o que Immanuel Kant e outros expoentes do Iluminismo escreveram sobre o terramoto de Lisboa de 1755.