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Edição Assírio & Alvim de 1987
Tradução de Brigitte Cardoso e Cunha, Ana Paula dos Santos, Graça Lamas e Graça Lapa
O texto que aqui publicamos em português permite situar de certo modo, ainda que incompletamente, as questões da civilização, do ser social dos humanos, da sua dupla situação - tantas vezes desconhecida pelo próprio - de indivíduo e de cidadão.
E a família é-nos mostrada na sua função de geradora física e psíquica de seres necessariamente sociais, mas clarificando pela primeira vez os mecanismos pelas quais a exerce.
Lacan diz que não inventa relativamente a Freud. O seu trabalho consiste sobretudo em o saber ler, em o compreender, em o dizer. Consiste em assumir a prática sempre renovada desse entendimento.
Mas consiste também em avançar a partir de Freud. O psicanalista que analisa a sua prática total não pode deixar de nela encontrar aqueles fenómenos pelos quais participa nas relações sociais, incluindo as lutas do poder, a todos os níveis do seu dia a dia.
Se, por exemplo, é lugar comum dizer-se quão importante é o papel do dinheiro na actividade da psicanálise, não pode o analista consequente deixar de analisar o lugar simbólico desse agente eminentemente social no seu próprio jogo de relações.
Ser psicanalista não é uma agência para aflitos. É uma função pela qual se participa do social e por isso do poder e por isso do seu uso e abuso. Função da qual se pode teorizar.
O texto A FAMÍLIA tem também o mérito de abrir agora e de polemizar outras. É magistral na explicitação dos seus conceitos de base nomeadamente as noções de família e de cultura, a distinção entre complexo e instinto assim como conceitos mais especificamente psicanalíticos. É de realçar o modo como ressitua o desenvolvimento individual na espécie humana, tornando a sua compreensão necessária a qualquer entendimento do indivíduo ou da sociedade.