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Edição Rés Editora de 1975
No progresso democrático que construimos neste país, criam-se, cada vez mais, condições óptimas para a proliferação de campos culturais de maior qualidade. Os detentores da cultura (a burguesia que está no Poder, nos meios de Informação, nas escolas...) tem de começar a ser autêntica com o Povo: dar-lhe a conhecer os seus prazeres: Coltrane ou Dolphy (isto no jazz- como bom cinema, boa alimentação, boa literatura!).
Se o povo não “gosta” de jazz e continua a suportar a mixórdia da música ligeira porque a repressão não lhe permitiu que a entendesse. Os Fascistas só davam merda ao Povo, também porque eles nada mais tinham para oferecer.
Se o que eu escrevo é difícil de entender-se, o caso sofre do mesmo problema que os objectos da minha crítica: não se podem escrever vulgaridades sobre Don Cherry, por exemplo. O Povo há-de compreendê-lo quando amar o jazz, e só pode amar o jazz quando se libertar dos opressores.
Levei muitas horas de meditação e trabalho para adequar certos termos (ex: pulsão, fluxo, morfoplasma...) ao discurso jazzístico.
Vejo-os por aí aplicados imbecilmente: eis a mentira da burguesia hipócrita. A crítica é um esforço, uma evolução, um progresso e não um jogo literário.
Esta pequena antologia representa uma selecção de textos/retratos por mim editados antes de 1974 em revistas elitárias (como Vida Mundial), populares (como Mundo da Canção) ou underground como Memória do Elefante e &Etc), sujeitos a revisões e actualizações mínimas.