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Edição A Bela e o Monstro de 2013, fac-simile da primeira edição
Passando em revista as inumeráveis ciências da adivinhação, desde a astrologia, a quiromancia e a nigromancia, até às que procuram segredos no ranger da porta, o estalar do vidro, o cintilar da candeia, o topar do pé, o sacudir dos sapatos, Vieira rejeita-as a todas. A sua própria base serão visões bíblicas, em especial a primeira profecia de Daniel, conjugadas com as trovas de Bandarra, sapateiro em Trancoso na primeira metade do século XVI. Condenado pela Inquisição, Bandarra tornar-se-ia referência do sebastianismo após a sua morte. Vieira afiança-o como cristão velho e virtuoso e como profeta confirmado. Terá sido um dos aspetos que incomodou a Inquisição, a qual acusou Vieira de heresia e o manteve detido durante dois anos. Embora as vicissitudes não lhe tenham permitido completar esta obra, ela permanece como um cume da prosa portuguesa.