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Tradução de Maria Helena e Manuel Gusmão
Edição Estampa de 1971
“Se nos ativermos à fronteira traçada pela legislação francesa na vida de cada um daqueles que estão sob a sua alçada - norma a que pelo seu nascimento foi submetido - foi em 1922 que o autor de “Idade de Homem” atingiu essa viragem da vida que lhe inspirou o título do seu livro. Em 1922: quatro anos depois da guerra, que atravessara, como tantos outros rapazes da sua geração, quase não vendo nela senão imas longas férias, segundo a expressão de um deles.
Desde 1922, poucas ilusões tinha sobre a realidade do laço que, toericamente, deveria unir à maturidade legal, uma maturidade efectiva. Em 1935, quando deu por concluído o seu livro, julgou sem dúvida que a sua existência já tinha passado pelas experiências suficientes para que se pudesse finalmente gabar de ter atingido a idade viril. No nosso ano de 39, em que os jovens do pós-guerra veêm decididamente oscilar aquele edifício de facilidade, no qual se desesperavam, esforçando-se por lá meter, ao mesmo tempo um autêntico fervor e uma tão terrível dignidade, o autor confessa sem disfarce que a sua verdadeira “Idade de Homem” lhe fica ainda por escrever, quando tiver sofrido, de uma forma ou de outra, a mesma amarga prova que os mais velhos que ele enfrentaram.
Por pouco aprofundamento que lhe pareça, hoje, o título do seu livro, o autor julgou bom mantê-lo, achando que, no fim de contas, ele não desmente o seu propósito: a procura de uma plenitude vital, que não poderia ser obtida antes de uma catharsis, de uma liquidação, da qual a actividade literária - e particularmente a literatura dita “confessional” - aparece como um dos mais cómodos instrumentos.
Pôr a nú certas obsessões de ordem sentimental ou sexual, confessar publicamente certas deficiências ou cobardias que mais o envergonham, tal foi para o autor o meio - sem dúvida grosseiro, mas que ele entrega a outros esperando vê-lo corrigido - de introduzir a sombra só que fosse de uns cornos de touro numa obra literária.“