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Edição Livros do Brasil de 2004
Tradução de Miguel Serras Pereira
É bem possível que o imperialismo tal como o conhecemos não tenha de facto sobrevivido, mas o Império, em contrapartida, está vivo e bem de saúde. Constitui mesmo, assim o demonstram Michael Hardt e Antonio Negri nesta sua tão discutida obra, a nova ordem política da globalização.
É fácil notar as transformações económicas, culturais e jurídicas, que hoje em dia ocorrem um pouco por todo o lado. Mais difícil porém é compreendê-las. Os autores deste livro mantêm que elas devem ser interpretadas em função da compreensão histórica que podemos ter do Império, enquanto ordem universal que não aceita fronteiras nem limites. E mostram-nos como este Império emergente difere no fundamental do imperialismo de raiz europeia ou da expansão capitalista de antanho. Sendo que hoje se baseia, em boa parte, em alguns elementos do constitucionalismo norte-americano, com a sua tradição das identidades híbridas e de uma fronteira em permanente expansão.
Hardt e Negri afirmam ter ocorrido uma mudança radical em certos conceitos que formam a base filosófica da política moderna, como os de soberania, nação e povo. E articulam essa transformação filosófica com as mudanças de natureza cultural e económica da sociedade pós-moderna – com as novas modalidades do racismo, as novas concepções da identidade e da diferença, os novos sistemas de comunicação e controlo, as novas vias da emigração.
Mais do que uma simples análise, Império é uma obra-prima de filosofia política e assume-se como uma verdadeira utopia. De certo modo, é um novo manifesto comunista. Procurando ver para além dos regimes de exploração e vigilância que caracterizam a nova ordem internacional, tenta encontrar um paradigma político alternativo, que sirva de base a uma sociedade global verdadeiramente democrática.