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Edição de 2008 da Cinemateca Portuguesa
Textos de Luc Lagier, Jean-Baptiste Thoret, Kent Jones, Julien Husson, Dave Kehr, Raiford Guins, Omayra Zaragoza Cruz e Luís Miguel Oliveira
John Carpenter é o autor de uma das obras mais ricas de entre o cinema americano das últimas três ou quatro décadas. Uma obra fortemente associada a um ou dois géneros específicos (o terror e a ficção científica) que Carpenter cultivou como mais ninguém, no que será porventura o mais evidente reflexo (essa consciência do género) da sua filiação clássica. Mas ao terror e à ficção científica, géneros para que Carpenter contribuiu com alguns dos mais notáveis títulos modernos, há que acrescentar um terceiro: o western. Se Carpenter manipula habilmente os códigos do terror e da FC, um dos seus traços distintivos é a frequente utilização, quase subterrânea, de uma estrutura de western e o trabalho sobre figuras de que se diria serem variações dos modelos de heróis clássicos da fronteira do Oeste.
Se Carpenter é, à evidência, um dos poucos grandes cineastas do medo que existiram depois de Hitchcock, convém não esquecer que toda essa riqueza subterrânea com que trabalha modelos e mitologias da América e do cinema americano faz dele, igualmente, um grande cineasta da América. “Todo o cinema que faço é profundamente político”, disse ele uma vez e como negá-lo quando nos lembramos de THEY LIVE (1988), um dos mais extraordinários filmes políticos da história do cinema americano?
Com uma carreira dividida entre a independência dos seus começos (revisitada mais tarde, em várias ocasiões a partir do final dos anos 80) e o contacto, nem sempre feliz ou mesmo raramente feliz, com o coração da indústria americana de cinema, a obra de Carpenter também testemunha, nos momentos de ferocidade como nos momentos de compromisso, o combate de um cineasta pela sua integridade artística e criativa.