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Edição Sr Teste de 2020
Tradução de Sara Soares Belo
Podemos seguramente escrever sem nos questionarmos porque escrevemos. Um escritor que observe a sua caneta traçar letras terá mesmo o direito de a suspender para lhe dizer: pára! que sabes tu sobre ti mesma? Com que fim avanças? Por que não vês que a tua tinta não deixa traços, que avanças livremente para diante mas no vazio, que, se não encontras obstáculos é porque nunca deixaste o ponto de partida? E contudo escreves: escreves sem repouso, desvelando-me o que te dito e revelando-me o que sei; os outros, ao ler, enriquecem-te com aquilo que levam de ti e dão-te o que lhes ensinas. Agora, o que não fizeste, fizeste-o; o que não escreveste está escrito: estás condenada ao indelével.