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Edição de 1988 das Publicações Dom Quixote
Tradução de Regina Louro
Luchino Visconti, de Alain Sanzio e Paul-Louis Thirard, é um fascinante, rigoroso e exaustivo dossier, através de cujas páginas podem seguir-se, com algum detalhe, as diversas fases de maturação da obra de um dos maiores cineastas do nosso tempo.
Muitas vezes oculto pelas diversas máscaras com que amigos e inimigos o foram recobrindo, Visconti viu-se sucessivamente classificado como neo-realista, marxista, decadente, pessimista, esteta e mundano... Tais foram as etiquetas, mutiladoras em extremo, nas quais tentaram encerrá-lo, todas participantes de uma estranha obstinação em reduzir o homem e a obra a uma só das suas dimensões.
Hoje, perante a leitura do conjunto desta última, tais interpretações revelam-se manifestamente ultrapassadas. Não tendo sido nunca um marxista de estrita observância, Visconti nunca se tornou o decadente que tantos o acusavam de ser. A sua lucidez nunca foi cínica, a sua pintura da sociedade nunca foi complacente, o ideal dos anos quarenta manteve-se intacto nos seus fundamentos essenciais.
Para além de uma síntese do universo viscontiano, construída em torno da permanência de temas como a família, a transgressão dos tabus e a conquista da liberdade, o presente volume dá ainda, de forma sistemática, a palavra ao próprio Visconti, ao recolher, para além de uma entrevista por ele concedida em 1971, numerosos outros inéditos de sua autoria.