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Edição de 1978 das Edições António Ramos
Tradução de Pedro Tamen
Pensar o que excede a possibilidade de pensar, atingir o ponto em que o coração falha, os momentos em que o horror e a alegria coincidem na sua plenitude, em que o ser nos é dado numa ultrapassagem intolerável do ser,
que o torna semelhante a Deus, semelhante a nada. Eis o sentido deste livro insensato.
As três novelas aqui reunidas são a expressão mais concisa da terrível exigência de um homem que dedicou toda a sua vida e a sua escrita à experiência dos limites. Através da blasfémia e da indecência, o que ouvimos é a voz mais pura, e o grito que esta boca torcida profere é um imenso aleluia
perdido no silêncio sem fim:
“Nós nada sabemos e estamos no fundo da noite. Mas, pelo menos, podemos ver o que nos engana, o que nos desvia de saber a nossa angústia, de saber, mais precisamente, que a alegria é a mesma coisa que a dor, a mesma coisa que a morte. Aquilo de que esta grande gargalhada nos desvia, e que suscita a brincadeira licenciosa, é a identidade do prazer extremo e da extrema dor: a identidade do ser e da morte, do saber que se completa nesta perspectiva resplandecente e da obscuridade definitiva. Desta verdade poderemos, sem dúvida, acabar por rir, mas então com um riso absoluto, que não se fica pelo desprezo pelo que pode ser repugnante, mas cujo nojo nos derrota.”