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Edição de 1999 da Cinemateca Portuguesa
Textos de Jean-Michel Frodon, Dominique Païni, Michel Marie, Jean Douchet, Serge Daney. João Mário Grilo, François Truffaut, Jacques Rivette, Jean-Luc Godard, Antoine de Baecque, Alexandre Astruc, Manuel Cintra Ferreira e Luís Miguel Oliveira
1959-1999: a Nouvelle Vague celebra este ano oficialmente o seu quadragésimo aniversário. Oficialmente, porque se 1959 (ano de Les Quatre Cents Coups, Le Beau Serge, À Bout de Souffle ou Hiroshima, Mon Amour) assinala o aparecimento das suas primeiras grandes expressões práticas, é perfeitamente legítimo defender que o movimento que lhes dava origem se tinha iniciado havia já alguns anos. E não estamos a pensar nas curtas- metragens em que os principais protagonistas foram ensaiando os primeiros passos na realização, nem estamos a pensar em todo o trabalho crítico de preparação levado a cabo, durante os anos 50, por esses mesmos protagonistas.
Estamos a pensar, sobretudo, no facto de a Nouvelle Vague, não sendo evidentemente o primeiro movimento (mais ou menos) organizado da história do cinema, ser com muita probabilidade o primeiro a reclamar, no seu centro, a componente geracional como traço de união fundamental entre os seus elementos.
Havia razões estratégicas para isto, razões que depressa se transformaram em razões políticas, e finalmente em razões publicitárias: inúmeras vezes a Nouvelle Vague foi propagandeada como tratando-se de um combate que lançava o cinema jovem contra o cinema velho, duelo que vinha a calhar numa época que terá inaugurado o culto da juventude nas sociedades ocidentais. O slogan estava, em mais do que um sentido, correcto, independentemente da idade de quem fazia qualquer dos ditos cinemas: todo o combate movido ao longo da década de 50 pela geração da Nouvelle Vague contra o cinema francês dominante assentava em parte na denúncia da caducidade deste último, da sua velhice e senilidade precoces, e no facto, essencial, de a juventude ser incapaz de se reconhecer nele.