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Edição Cotovia de 2008
A personagem de Helena na Ilíada afigura-se-nos dotada de excepcionais capaciades de raciocínio, que lhe facilitam a vida em meio hostil. Um traço surprendente da personagem, de resto retomado na Odisseia, é a estratégia de desmontar os possíveis insultos de que poderia ser alvo, aplicando-os, ela própria, a si mesma. A sua “cadelice” é trazida à colação pela própria, um pouco a despropósito, no Canto VI da Tlíada, na conversa com Heitor, e de novo na Odisseia, decerto para consternação dos dois jovens pudicos, Telémac e Pisístrato, pouco habituados a ouvirem uma rainha grega a qualificar-se de “cadela”. A naturalidade com que Helena refere a sua própria lascívia impressionou gerações de leitores.