O Banho de Diana

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O Banho de Diana
Autor(a)
Pierre Klossowski
Editora
Cotovia
Género Literário
Outro
Sinopse

Edição Cotovia de 1989
Tradução de Fernando Luís

As digressões que compõem O Banho de Diana têm origem na maldição de uma visão, resumida pela exortação de Ovídio: Nec videamus labra Dianae! (Não conseguimos ver os lábios de Diana!)

O preço de ter vislumbrado, como que por acaso, os lábios infernais da deusa é ilustrado pela cena descrita e ponderada nesta breve obra — uma cena perpetuada, convém recordar, pela pintura e escultura ocidentais sob os nomes de duas figuras: Diana e Acteon.

O homem, caçador, ao perseguir alguma fera selvagem, surpreende-se acidentalmente com a nudez divina, é imediatamente transformado num veado por um gesto de modéstia da deusa e é despedaçado pela sua própria matilha.

Mas neste texto, longe de nos parecer, como em Ovídio, a vítima inocente de um destino tão chocante, vemos Acteon a projectar prescientemente a sua própria lenda como uma vocação, predestinando-o a desvendar os supostos mistérios de Diana, mesmo que isso signifique divulgar, através do seu próprio sacrifício, os segredos de uma divindade tão contraditória quanto provocadora.

A forma como se prepara para tal, abandonando a perseguição do caçador pela espiritual do eremita, mostra-o perdido, fora do reino do mito, nas antinomias da consciência racional, já assombrado pelo dilema da vontade livre (ou servil). Culpado ou inocente? Declarar-se culpado é expiar o não intencional, o não intencional, de modo a apropriar-se dele como desejado. Ao declarar-se culpado, Acteon revela simultaneamente o significado oculto do gesto aparentemente punitivo da deusa. Se ele aguarda este gesto como o momento oportuno para um êxtase sacrílego, o que significa que o homem é castigado no Veado, a besta por excelência sagrada para a deusa? Se não significa que Diana, reduzindo o homem ao silêncio do animal, lhe conceda a posse bestial da sua divindade.

Um exercício espiritual que, ao não resolver o dilema do livre-arbítrio versus servidão, degenera no deleite mórbido da "cervidade voluntária".

Idioma
Português
Preço
12.00€
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joaorebelo

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