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Edição Estampa de 1973
Inclui a novela, um interfácio em que o autor aflora a convivência adentro do grupo surrealista do Café Gelo e a versão teatral da obra.
Ilustrado com um retrato do autor por José Araújo
"Só a ultramedicina, quase intuitiva, poderia diagnosticar esta minha morte com aparência de vida. Resumindo: eu perdi a célula eterna quando gerei os meus descendentes. Uma pessoa como eu era uma espécie de viveiro e servia apenas como um campo transitório para a conservação temporário da célula eterna. Uma simples zona de passagem, uma proveta da natureza!... A razão de eu ser simplesmente isso e mais nada, era a minha fome ancestral. A célula eterna não podia permanecer muito tempo num núcleo condenado ao longo de várias camadas de gerações. Ora a inteligência é a demonstração da plena vitalidade da célula. Acontecía, porém, que a célula passava muitas vezes milhares de anos adormecida em estado, por assim dizer, latente. Daí a existência dos burgueses acomodatícios e de todo o conformismo legalizado! Porque a célula permanecia então numa forma particular de hibernação. Assim adormecida, conseguia uma forma de repouso necessária à sua eternidade até encontrar o núcleo adequado à vitalidade ingénita..."