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Edição Antígona de 2006
Tradução de Carla da Silva Pereira
Cuba, anos 70. Um engenho de açúcar. Milhares de jovens recrutados à força, tal como os escravos no século XVI, trabalham nas plantações de cana, base económica de Cuba enquanto a União Soviética garantiu o escoamento da produção.
Em condições miseráveis e absolutamente infames, são obrigados a atingir as elevadas quotas de produção decretadas pelo Grande Ditador.
O Engenho constitui a primeira parte da trilogia Leprosorio e nela Reinaldo Arenas (1943-1990), poeta e romancista, dissidente expulso de Cuba e condenado ao exílio em 1980, remonta à época dos Descobrimentos para narrar a sua experiência nas UMAP, Unidades Militares de Ajuda à Produção, na realidade campos de trabalho forçado para onde eram enviados muitos dos indesejados da sociedade, entre os quais os homossexuais.
Para contar a história dos dulcíssimos grãos de açúcar refinados à custa de sucessivas humilhações e variadas formas de opressão, Arenas utiliza uma linguagem que se aproxima frequentemente da oralidade, misturando elementos étnicos com uma crueza brutal que reproduz linha após linha o indizível sofrimento provocado pela escravatura.