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Edição Antígona de 1988
Tradução de João Bénard da Costa
Tabu e sacrifício, transgressão e linguagem, morte e sensualidade, economia e excesso, eis os temas deste estudo incontornável de Georges Bataille, filósofo, romancista, poeta, pornógrafo e fervoroso católico, que tinha nos bordéis de Paris a sua verdadeira Igreja.
Para Bataille, o erotismo está intimamente ligado à morte e à religião, à nostalgia da continuidade que os seres sexuados, distintos uns dos outros, separados por um abismo, sentem como uma perda irreparável. O erotismo, como os ritos sacrificiais, busca redimir esta descontinuidade. Mas este excesso vital desafia a organização das sociedades, baseada no trabalho, na razão e na cooperação. Daí o nascimento das proibições e a institucionalização da transgressão, através da instituição do tempo da festa e da orgia sagrada.
«Compreende-se por que razão as páginas de O Erotismo são tão fortes e tão decisivas. Elas provêm de um homem cuja experiência íntima não fez concessões. Este livro sucede-se a La Part Maudite, tratado de economia geral, cujo tema principal era, não a produção das riquezas, mas a sua despesa (o seu “consumo”). O erotismo era por ele designado como “a parte problemática”, uma vez que constitui para toda a gente “o problema dos problemas”.
O mérito de Bataille foi o de encarar a sexualidade humana no seu quadro sociológico, em relação à história do trabalho e à das religiões. Toda a sua interpretação assenta numa dialéctica do interdito e da transgressão.» [Alexandrian, Os Libertadores do Amor]