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Edição Moraes Editora de 1966
Primeira Edição do primeiro livro da autora, fora de circulação comercial desde a edição de 1966.
O Lugar Comum é o livro de estreia de Maria Velho da Costa, publicado pela Livraria Morais Editora quando a autora tinha 28 anos. Reúne cinco contos (ou ficções curtas) escritos entre 1962 e 1965.
Apesar do título sugerir o ordinário ou o trivial, a obra é tudo menos isso. Nada de comum ou simples parece habitar a escrita e o estilo da jovem escritora. Os contos exploram o mundo íntimo das relações humanas, laços familiares tensos, a solidão, a incomunicabilidade, as feridas silenciosas do quotidiano doméstico, através de uma prosa densa, de cadência quase poética.
O livro revela já o que se tornaria a marca maior da autora: um “realismo do íntimo”, onde os dramas do ser se entrelaçam com uma artesania apurada da palavra, uma disposição cuidadosa dos espaços e ambientes, e um domínio da linguagem na semântica narrativa. Em vários contos sobressai a figura da criança como testemunha involuntária de fraturas adultas, a ausência da mãe, a distância do pai, o peso do não dito, e os desfechos permanecem frequentemente em aberto, devolvendo ao leitor uma
pergunta sem resposta. O motor narrativo de cada conto é a erosão dos papéis socialmente prescritos, em particular os femininos. Os lugares comuns socialmente definidos para as performances femininas passam a ser questionados em cada um dos textos.
O Lugar Comum é, assim, uma obra inaugural mas não menor: os contos prenunciam um grito que anos mais tarde se tornaria mais audível em Maina Mendes (1969) e nas obras seguintes, sendo hoje lido como a semente de toda uma poética, a mesma que levaria Maria Velho da Costa ao Prémio Camões em 2002.