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Edição Hiena de 1993
Tradução e introdução de Ernesto Sampaio
Títulos dos originais: Les Sentiments Retardent (Les Lettres Nouvelles, nº 42, Outubro de 1956); Le Theâtre et La Science (L’Arbalète, nº 13, 1948); Vie et Mort de Satan Le Feu, Le Mexique et La Civilization, une Race-Principe («Vie et Mort de Satan Le Feu, suivide textes mexicains pour un Nouveau Mythe», Éditions Arcanes, collection «Voyants», Paris, 1953).
Alguns dos originais destes textos (Uma Raça-Princípio, O México e a Civilização, Vida e Morte de Sată o fogo) foram milagrosamente resgatados do lixo por Serge Berna, numa trapeira de Paris, em 1952. Outro, como Os Sentimentos atrasam, descobriu-o por acaso Maurice Nadeau entre as páginas de um velho exemplar de «La Révolution Surréaliste» adquirido num alfarrabista. Quanto ao original de O Teatro e a Ciência (cuja tradução agora reproposta foi publicada em 1959, no n.o 1 da revista «Pirâmide», constituindo a primeira apresentação em português de Antonin Artaud), apareceu não se sabe como num leilão de manuscritos da Drouot.
A foto da capa de «La Révolution Surréaliste» de 15 de Abril de 1925 tem por legenda: «1925: fim da era cristã». Antonin Artaud, num «bouquet» de cinco cartas a sumidades religiosas universitárias, psiquiátricas da Europa e da Ásia, publicadas na revista, denuncia o trágico falhanço do Ocidente, arruinado pela lógica e a religião.
O mesmo saber é comum aos textos encontrados desagregação da cultura europeia. perdidos agora propostos: o da experiência da separa numa divisão interminável, dividido entre Dilacerado, disperso num dualismo que o a alma e o corpo, o bem e o mal, a percepção e a representação, o reino de Deus e o reino do mundo, o pecado e o prazer, enfim, entre uma proliferação de contrários cujo sinal permanente é a cisão, o homem do Ocidente, antes de soçobrar no pasmado alheamento actual, procurou desesperadamente uma saída, algo que deveria passar por uma ligação do ser inteiro a si mesmo e às leis das coisas, pela redescoberta de uma cultura fascinante, movida por uma força de unificação que se reproduziria a todos os níveis e a todos os instantes.