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Edição Estampa de 1977
Publicado em 1977, Raso como o Chão é uma colecção imperfeita de textos avulsos, escritos de um só jorro pelas mesas dos cafés no Porto. E, como todas as obras iniciais, ambiciona produzir tese: Álvaro Lapa acerta contas com o país que sobrou da Revolução de 1974 tanto quanto com a história pessoal feita da memória da prisão da Évora natal, do isolamento cultural (chamar-lhe-á "o deserto") e da castração do indivíduo pela educação, no Portugal da ditadura. Com isto e sem optimismos, Raso como o Chão é uma obra transbordante de desejo.
Raso como o Chão vive de um ritmo sincopado e de sucessivas rasuras, do fio de uma voz que constantemente deriva noutras vozes contraditórias ou, ao invés, duma voz que irresistivelmente se coloca travão a si mesma, deixando ideias em aberto, interrompendo linhas de pensamento e explorando a tensão particular da sugestão, do fragmento e do inacabado.
João Sousa Cardoso